POLUIÇÃO DO AR URBANO DESFAVORECE OS RECURSOS PASSIVOS DE CLIMATIZAÇÃO NOS AMBIENTES CONSTRUÍDOS.

O ideal é o ambiente habitacional que acumule calor nos dias frios e refresque seu interior em dias quentes. Para isto foram descritas estratégias bioclimáticas passivas com o aproveitamento dos recursos naturais. ABNT-NBR 15575/2013.

 

Mas, haverá épocas no ano em que o calor abrasador ou o frio intenso não serão controlados apenas com recursos passivos, e será necessário a utilização de recursos ativos de climatização.

 

Quando os recursos de climatização são passivos, ventilação cruzada, aeração, insolação, sombreamento nas aberturas e a aplicação de materiais isolantes térmicos, naturalmente se dá uma troca de ar contínua gerando uma QAI, Qualidade do Ar Interno, sustentável. Para isso o entorno da edificação, o ar externo, não deve ser excessivamente poluído, pois assim a troca de ar não purificará o interior, podendo inclusive prejudica-lo.

 

Eis a questão…os grandes centros urbanos estão saturados da emissão de gases no ar como monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de carbono e outros. E, devido a aglomeração urbana e ausência de áreas de vegetação são formadas as “ilhas de calor” que intensificam o desconforto ambiental inviabilizando a dispersão dos poluentes.

 

Diante deste quadro em que encontravam a maioria das cidades brasileiras, há aproximadamente 45 anos, as normas municipais de assentamento das edificações como a Lei do uso e ocupação do solo vieram a tempo de impedir uma massificação urbana, trazendo uma ocupação dos lotes proporcional às áreas verdes de permeabilidade do solo minimizando os efeitos nocivos ao ambiente urbano. Contudo, ainda podemos contar com a renovação do ar interno nos ambientes habitacionais, de comercio e serviços.

 

A Qualidade do Ar Interno (QAI) surgiu como ciência a partir da década de 70 com a crise energética e a consequente construção dos edifícios selados (desprovidos de ventilação natural), principalmente nos países desenvolvidos, e se constatou que a diminuição das taxas de troca de ar nesses ambientes era a grande responsável pelo aumento da concentração de poluentes no ar interno.

 

Este fenômeno foi identificado como Síndrome do Edifício Doente (SED) e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1982.  Caracterizado por ambientes internos que propiciam um conjunto de doenças desencadeadas pela proliferação de microrganismos infecciosos e partículas químicas em prédios fechados. Geralmente, a enfermidade está relacionada a falhas no sistema de climatização, pois estes organismos (Legionella pneumophila) sobrevivem na água dos dutos do ar condicionado e se disseminam pelo ar interior do ambiente.

 

Quando verão, o uso indiscriminado dos sistemas de ar condicionado, sem manutenção adequada, além de trazer gastos excessivos com energia elétrica, passam longe de índices satisfatórios de QAI, contaminando os usuários com diversas doenças respiratórias.

 

Problema de tal ordem, agora é lei! O congresso aprovou, neste ano, a lei 13.589/2018 que obriga a manutenção e controle dos sistemas centrais e individuais de ar condicionado.

 

Quando inverno, os sistemas de aquecimento são pouco utilizados no Brasil, a não ser nas regiões mais frias e de população de maior poder aquisitivo. Mas, podemos contar com algumas soluções naturais como as lareiras, aquecedores a gás e outros que independem da energia elétrica questão tão preocupante no âmbito mundial.

 

Caso haja interesse assistam o vídeo abaixo que vai ajudar a esclarecer outros aspectos deste assunto.

 

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Arquiteta e professora de Desenho Arquitetônico na Faculdade Tecnológica INAP de Design de Interiores. Larga experiência no mercado de trabalho com diversos projetos arquitetônicos edificados em BH. Pratica a docência com prazer e dedicação e tem ampliado sua abrangência de conteúdos no EAD - Ensino a Distancia - nas disciplinas de Conforto ambiental, Núcleo de Projeto e outras.

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