Bioclima: influência direta no conforto do Ambiente Construído

O planejamento do ambiente construído busca conhecimento e recursos na elaboração de projetos sustentáveis em todos seus aspectos, visando alcançar o conforto interno inteligente na utilização de meios naturais disponíveis no bioclima local.

 

 O registro das variações climáticas em uma determinada região durante as estações do ano, caracterizam o seu Bioclima e sua influência direta sobre todos os ambientes externos e internos da vida animal e vegetal.

 

O post anterior tratou dos mecanismos das trocas térmicas que ocorrem entre o organismo humano e o ambiente assim como a termorregulação do corpo e suas variáveis nas compensações do desconforto térmico devido sua exposição às variações climáticas.

 

Projetos arquitetônicos bioclimáticos são aqueles que procuram utilizar os recursos climáticos locais como forma de controle e redução dos impactos ambientais e, favorecer a eficiência energética. Nos projetos de design de interiores e ambientes, não é diferente, esta busca por recursos naturais na viabilização de ambientes sustentáveis tem alcançado bons resultados a depender, é claro, da conscientização, do interesse e motivação do profissional. E tudo começa com o estudo do Clima.

 

Está disponível um estudo recente sobre o clima, que foi incluído nas normas técnicas de 2013 – NBR 15575-1, que abrange todo o território nacional subdividindo-o em áreas de predominância climática, que deve ser considerado nos estudos iniciais de qualquer projeto de intervenção ambiental entre eles as edificações – uma melhor qualidade de vida com moradias confortáveis em equilíbrio com o meio ambiente, a cobertura vegetal do entorno e o microclima.

 

A Climatologia é o estudo científico voltado aos fenômenos atmosféricos e meteorológicos e sua evolução que caracterizam a condição média local. Os elementos climáticos se somam aos fatores geográficos do clima que imprimem ao ar uma permanente movimentação. Inclui estudos da incidência solar, nebulosidades, temperaturas, ventos dominantes, umidades do ar e regime de chuvas.

 

Em estudos anteriores verificamos a posição geográfica no planeta em que se situa o Brasil – entre os trópicos – ocupando uma área que favorece radiação solar intensa. Inúmeros trabalhos desenvolvidos contribuíram para a sistematização dos dados meteorológicos que se tornaram mais difundidos em suas escalas espaciais:

 

Macroclima: Corresponde ao clima médio regional em um território de maior extensão por isso seu valor é relativo, por causa de sua abrangência com informações gerais e suas tendências. Por exemplo, o Brasil é um país tropical de clima ameno e temperado.

 

Mesoclima: Corresponde ao clima em uma região de menor abrangência de forma a produzir informações mais precisas os aspectos climáticos e as influências relativas ao relevo, cobertura vegetal, florestas e matas e áreas desérticas e etc. Podemos denominar como “Clima Local”. Por exemplo, Minas Gerias é um estado que apresenta um clima tropical de altitude com a estação do verão chuvosa e do inverno seca, bem definidas.

 

Microclima: corresponde à menor unidade na escala climática por ter sua abrangência em uma área de pequena extensão tendo, portanto através de estudos estas informações são mais precisas e relevantes para interferências do ambiente construído.

 

Esta é a escala espacial dos aspectos meteorológicos e climáticos que devem ser observados por determinar formas e soluções no objetivo do conforto ambiental e principalmente conforto térmico.

 

As condições microclimáticas são diretamente influenciadas pelos de grandes centros urbanos que em nosso país, a grande maioria, surgiu espontaneamente, sem planejamento prévio, criando um desiquilíbrio do ambiente natural com a supressão de áreas de vegetação em favor de pavimentação de vias, e grandes alagamentos em função desta impermeabilização crescente do solo.

 

Outro fator de alerta foi o surgimento de “ilhas de calor” impactando agressivamente as cidades interferindo diretamente nos mecanismos de evapotranspiração dos habitantes.

Medidas paisagísticas urbanas envolvendo maiores áreas destinadas a coberturas vegetais arbóreas e gramíneas tem se mostrado eficiente na redução de temperaturas do ar, promovendo resfriamento na manutenção destas áreas proporcionando considerável diminuição e maior difusão do calor latente recorrente.

 

O planejamento das edificações e seus ambientes pode contribuir com o agravamento das condições climáticas urbanos – microclima, pela influência direta que exerce sobre a desertificação das cidades.

 

Mas cabe ao profissional e aos habitantes locais a interferência nos aspectos que ainda podem ser controláveis, como a possibilidade de áreas permeáveis e de vegetação, jardins e praças que permitam maior absorção da água pluvial; os afastamentos observados entre as edificações para que não se formem corredores canalizadores e ambientes insalubres; alturas das edificações e tipo de coberturas destas

adotando, quando possível, as coberturas vegetais, ou telhados verdes,

que em muito colaboram no equilíbrio e na minimização de ilhas de calor; e ainda na observância  correta  dos elementos arquitetônicos disponíveis a favor do sombreamento assim como no posicionamento

e dimensionamentos das aberturas externas das edificações favorecendo a iluminação e ventilação natural no controle do excessivo consumo energético.

 

Disponibilizo, abaixo, o vídeo relativo a interferência do bioclima nas edificações.

 

 

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Arquiteta e professora de Desenho Arquitetônico na Faculdade Tecnológica INAP de Design de Interiores. Larga experiência no mercado de trabalho com diversos projetos arquitetônicos edificados em BH. Pratica a docência com prazer e dedicação e tem ampliado sua abrangência de conteúdos no EAD - Ensino a Distancia - nas disciplinas de Conforto ambiental, Núcleo de Projeto e outras.

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